O Primeiro Capítulo

Este é um sonho antigo que o medo nunca me permitiu dar inicio.

Quem de nós, blogueiros, não sonha em compilar os nossos melhores textos e tentar publica-los? No entanto, vem o medo da critica, da rejeição, da dura verdade que talvez nunca venhamos a ser um Saramago, um Amado da vida e deixamos de lado esse sonho bobo.

Se você escreve, você entende o que quero dizer. Mas então o que eu faço, desisto? Quem nos dera haver essa possibilidade na vida de um escritor. Se houvesse, Hemingway não teria metido um tiro na boca.

não há volta para viajantes de outras dimensões como você e eu. Não sabemos mais viver nesse mundo maluco chamado realidade. Precisamos de aventura, fantasia e amor incondicional que brota como uma ideia tola e constrói vidas em frações de segundo e que precisamos dar vida no papel pois transborda para fora do imaginário. o papel é a porta que abrimos para que os dois mundos se encontrem e as palavras são as chaves que oferecemos aos leitores.

essas pessoas vivem em nós e querem sair. E a angustia de aprisiona-las me corroí tanto quanto o medo de descobrir que não sou o próximo na fila do Nobel. Eu sempre vive da seguinte forma: Prefiro arrepender-me do que fiz e não do que deixei de fazer

então aqui está o primeiro capítulo de uma historia. Aproveitem, sejam gentis e que Deus me ajude.

***

CAPÍTULO I

Não consegui dormir aquela noite.

Meus olhos doíam por detrás das pálpebras fechadas. Tentei sem sucesso encontrar uma posição, mas a cada mudança o corpo reclamava. Os músculos ainda estava sensíveis e o braço engessado limitava mais ainda os movimentos. Eu podia sentir algo como se os ossos fossem arrancados do meu corpo, como se alguém me destrincha-se como um frango de padaria.

Desisti daquela tarefa terrível. Não dormiria nos próximos dias e nos que se seguissem eu terias noites curtas e insones. Levantei-me e fui até a varanda do quarto. A lua cheia como um balão branco brilhava solitária sobre o pano negro do universo. A brisa marítima sacudia os galhos da figueira do outro lado do pátio produzindo o som hipnotizante do farfalhar de folhas. Senti o corpo semi nu tremer quando o vento mudou ligeiramente e direção. Voltei ao quarto e me vesti. Calcei um tênis simples e calças moletom e um casaco de lã. Atravessei o corredor, desci as escadas silenciosamente e ganhei o saguão da pousada como um gato.

Sobressaltado, percebi que alguém ainda ocupava a sala de estar anexada ao saguão de chegada. Me aproximei sorrateiramente e percebi que minha avó dormia numa poltrona. O televisor ligado lançava sombrias nas paredes.

Me aproximei e desliguei o aparelho espantando os fantasmas, mergulhando o comodo na luz fraca da noite que entrava pelas cortinas semi abertas. Eu a cobri com a manta que jazia do seu lado no chão. Dei-lhe um beijo no rosto cansado. Eu meio que lhe invejei o sono quando voltei ao saguão e procurei sobre o balcão as chaves da porta da frente.

A rua estava deserta. Além de um cão que uivava longe entre as brumas, o silencio seria minha fiel companhia naquela caminhada soturna. Meu corpo ainda doía. Envolvi o braço enfaixado com o outro. Desci a rua em direção da praia que ficava no fim da rua de chão batido e areias trazidas pelo vento. Alguns postes iluminavam o caminho, mas nem sempre. Na maior parte do ano eles passavam apagados. Em noites sem lua aquela seria uma aventura e tanto para quem não soubesse chegar como chegar a praia.

Eu faria aquele caminho até mesmo com os olhos vendados.

Fizera aquele trajeto, indo e voltando, tantas vezes durante toda a vida que nem mesmo se todos os as luzes do mundo fossem apagadas, assim mesmo encontraria o caminho para o oceano. O cheiro do sal era o guia misterioso para os homens do mar, dizia meu avô.

Passei por varias casas de veraneios que pareciam abandonadas e assombras. Placas de aluga-se empoleiradas nos portões eram a única promessa de que com o verão a vida voltaria e a paz abandonaria a cidade de Praia Seca. Adormecida num torpor único durante a baixa temporada.

A medida que me aproximava, bancos de areia cobertos pela vegetação rasteira se formava pelo caminho a ponto de não se distinguir a estrada. A praia fica num declive suave de terra recoberto pelas areias, a visão lembrava as dunas de um deserto. Do topo senti as rajadas mais fortes do vento vindas do outro lado do mundo. Meu corpo estremeceu diante da grandiosidade do oceano. Ele outra me deslumbrava. Era sempre como se fosse a primeira vez que nos conhecíamos. Eu, um amante a se apaixonar pela primeira vez. Ele, indiferente a minha presença.

Caminhei um pouco ao longo da praia até o rebentador. O mar estava revolto e a maré subira lasciva de desejo pela lua nua no céu.

Longe os petroleiros bailavam no horizonte do céu e do mar como vaga-lumes.

A praia estava deserta como o imaginado.

Durante a alta estação, as areias borbulhavam de veranistas e vendedores com suas barraquinhas. No alto do banco de areia os carros se amontoavam disputando qual produzia mais ruído com seus sistemas de som. Os odores de cerveja e bronzeador se misturavam ao milho cozido e o churrasco entre as pedras do arrebentador. No fim da estação, quando os poucos veranistas aproveitavam os últimos calores do sol, o rasto de amor e sexo entre a vegetação era indiscutivelmente nítidos.

Minhas pernas doíam ainda. Acho que havia caminhado o suficiente para aquela noite errante, mesmo que não houvesse um destino que desejasse chegar. Próximo as ondas o resto de um luau era distinguível. Uma pedra fora arrastada até ali, pelo visto para servir de palco para o cantor da vez. cercado por jovens deitados sobre cangas, cantarolando a canção imerso na nevoa de maconha.

Como um historiador eu analisava os sinais da presença humana sobre as areias.

Fiquei ali não lembro por quanto tempo olhando para o movimento das ondas lambendo a areia, desenhando figuras com a espuma salgada. Minha atenção voltou-se curiosamente para o canto esquerdo dos olhos quando notei movimentação.

Algo imergia das ondas, um vulto sai do mar e por um instante pensei que a cabeça me pregava um peça. Por reflexo me deitei sobre a areia, sem preocupar-me com as dores ou o braço ainda fraturado.

A figura caminhou praia acima e por um segundo achei que vinha na minha direção. Encostei o queixo contra a areia sem desgrudar os olhos da cena que acontecia. Consegui distinguir a figura de um homem quando ele finalmente parou e contemplou o oceano a não muitos vinte metros.

A lua era a cúmplice perfeita. Não sei se por algum fenômeno lunar ou pelos instintos humanos dos olhos, mas a noite quase se tornou em dia e eu pude avaliar melhor aquela aparição.

Meu coração acelerara e uma onda de calor me atravessou quando percebi que ele estava completamente nu. Eu desvie o olhar envergonhado por um segundo quando fiz esta constatação, mas a curiosidade fez-me voltar os olhos para ele outra vez.

Parado diante de mim com as mãos pousadas sobre a cintura, ele observava ao mar. Ele deveria ter os cabelos raspados ou nenhum, era difícil dizer, mas  pescoço parecia uma torra anexada as costas largas e volumosas. As pernas eram fortes e rígidas como se fossem capaz de levantar uma lancha. A água salgada do atlântico ainda escoria pelo corpo, aderindo os pelos. Não era um desses tipos que mora dentro de academias. Era gordo, com certeza, mesmo de costa para onde eu estava. Mas era diferente de qualquer homem do tipo que havia visto. Era parrudo e a postura lembrava um lenhador admirando a devastação que causara com as próprias mãos. Outro tremo me atravessou. Também havia uma tatuagem no ombro que descia pelo braço, mas não era possível distinguir.

Eu ansiava ver seu rosto. Queria saber quem ele era e porque diabos estava numa praia, tarde da noite, banhando-se nas águas congelantes do mar.

Ele caiu sentado e deitou-se de costas na areia como se os raios do luar lhe bronzeassem a pele nua.

Me mexi como um fuzileiro a fim de não ser visto pelo inimigo e tentei ter uma visão mais nítida. Temeroso de ser descoberto resolvi não me aproximar mais. Daquele ponto eu conseguia ver a silhueta do seu corpo. O peito e a barriga eram altos e musculosos e uma barba espeça e em feita recobria o rosto, mesmo daquela distancia ainda não sabia distinguir um rosto conhecido e um misto de medo e desejo me atravessou. Minhas dores desapareceram e o braço enfaixado estava imundo. Eu teria depois minhas complicações.

Seu braço esquerdo desferiu um arco no ar – eu pude distinguir uma tatuagem em forma de estrela sobre o dorso da mão – e mergulhou entre as pernas.

Percebi que minha boca estava aberta e o ar quente aquecia meu braço e um volume formava-se dentro do moletons. Meu Deus, não acredito no que estava acontecendo diante dos meus olhos.

A cabeça se jogou para trás e seu pescoço se elevou como se alguém o beijasse avidamente. A boca aberta arfava numa nevoa grossa e quente. Sua mão se movimentava primeiro lentamente em movimentos massageadores. Seu membro ergueu-se ao simples carinho que recebia. O corpo começava a se elevar a medida que o prazer entorpecia seus músculos. A barriga se elevava e subia e o peito parecia um motor trabalhando a todo vapor.

Seu movimentos se intensificaram e eu entendo o que iria acontecer. Me virei sem tirar os olhos dele. Pouco me lixando se seria descoberto ou não.  enfiei a mão dentro do moletom. Minha mão se movimentava freneticamente dentro da calça.

Seu corpo se contorceu mais e a boca abria-se mais na cabeça que girava quase toda para trás em urros guturais de prazer. Um jorro farto surpreendente me pegou de surpresa. O liquido brotava do membro duro e reto como uma fonte. O liquido quente parecia não parar e a cada gozada algo parecido com uma dor lancinante atravessava seu corpo.

Não consegui manter a atenção. Eu estava chegando lá e meus olhos se voltaram para o céu, a lua me observava e eu a ignorei. Gozei loucamente e tive que conter os ruídos que brotavam da boca para não revelar minha posição. Filho da mãe, meu corpo se retesou e quase desmaiei. A quanto tempo não sentia tamanho prazer.

Mesmo sem conseguir me mexer de forma ágil, virei e procurei ele. Temi a ideia que havia feito algum barulho e ele ter me descoberto. Eu estaria perdido se fosse um maluco, eu me quebraria no meio com um único golpe.

“sumiu?!”. Minha cabeça girou em todas as direções, mas ele havia desaparecido. No lugar restava somente a terra revirada e a lembrança do seu corpo. Ele havia desaparecido.

O dia amanhecia lentamente. Sombras esmaecidas tomavam formas no pátio quando consegui abrir o portão. O metal guinchou ruidosamente e tive a impressão de que alguém havia ouvido o estardalhaço. Mantive-me imóvel junto ao murro por um instante. Escutei procurando qualquer sinal de movimento dentro do salão. Nenhum ruído.

Abri a porta e entrei sorrateiro.

Enquanto subia as escadas olhei de relance para a sala de estar. A poltrona descansava sozinha num canto. Cheguei ao quarto num minuto. Um rastro de areia havia me seguido, denunciando minha aventura proibida.

Corri ao banheiro e joguei-me nas águas geladas do chuveiro. Meu corpo se contrario com metal derretido lançado ao mar. As dores haviam diminuído. Fiquei bons quinze minutos sob as águas. Sentias pernas fracas. Coração galopava. Havia corrido todo caminho de volta não imagino porque, por medo ou vergonha. Eu não sei, mas aquilo tudo fora alem do imaginável.

Me joguei ensopado na cama. Fechei meus olhos e tentei relaxar em vão. Eu ainda estava envolto em desejo. Masturbei-me outras vezes e gozei tanto quanto havia feito sobre a areia do mar. Ainda era vivida as imagens do urso se acariciando a luz do luar como um animal no cio.

Um fatigado torpor se apossou de mim. O corpo se entregou ao cansaço e pude enfim fechar meus olhos.

O sol brilhava lá fora e sonhos tranquilos me invadiam bucolicamente.

 

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