O Amor Genuíno

Imagine uma mãe.

Seu filho está grande e pretende mudar-se para outro pais, muito distante. Ela, que a vida toda teve-o por perto, até o presente momento ao alcance dos seus cuidados, sente-se profundamente triste pela separação mas sabe que não pode impedi-lo de fazer aquilo que os filhos foram feitos para fazer: ir embora.

A questão é, ela o deixara de amar? Não, isto não vai acontecer. Apesar da saudade, dos dias sem um telefonema e dos anos que se passaram até que ele volte e visite-a, talvez por algumas semanas, para depois desaparecer por outros logos anos. Mesmo assim, ela o amara. Você se pergunta, “que tipo de amor é esse?”

Este é o amor genuíno.

Quantas vezes fomos abandonados por pessoas que amávamos? Consigo me lembrar como se fosse ontem a primeira vez que experimentei o amargo sabor do fim de um relacionamento.

Os primeiros amores são os que mais doem, porque existe essa tola ideia de que tudo é para sempre e quando acaba é como se o que havíamos vivido foi somente um rio de mentiras. Passamos a odiar aqueles a que um dia entregamos nosso coração e não imaginamos que isso ira se repete por vários outros relacionamentos durante nossas vidas, até que um dia a pergunta, “será que há algo errado com comigo?” se manifeste e tenhamos esse momento de iluminação.

“Não é com você, sou eu o problema!” frase corriqueira na vida de quem namorou e quis terminar logo aquela coisa embaraçosa de terminar tudo.

Na maior parte das vezes, 99% para ser mais especifico, é nossa culpa mesmo o fim do amor ser algo tão doloroso. Por quê? Porque passamos 99% do nosso tempo amando de forma romântica. Seguindo as formulas aprendidas nos filmes da Sessão da Tarde. Nos apegando a fantasias e nelas criando a ideia de posse sobre alguém, como se as pessoas nos pertencessem, como se elas fossem obrigadas a nos fazerem felizes. “Você me completa”. Não somos incompletos, ninguém é panela sem tampa, ninguém é só um lado da laranja. Antes ou depois de conhecer “alguém marcante” em nossas vidas, ainda assim, seremos completos. O correto seria dizer: “Você, no máximo, me COMPLEMENTA, e olhe lá.

Definitivamente, Ninguém pertence a ninguém. E isto se aplica não somente a namoros ou casamentos, aplica-se aos filhos, pais, amigos, um ente falecido…

Quando vejo tantas pessoas sofrendo por qualquer tipo de perda, imagino que ainda não estamos prontos para perder nada até que aprendamos a não deseja-las. Aprender a perder aquilo que não se tem, entender que tudo na vida é perecível, até mesmo quem nós somos, é um dos segredos para uma vida feliz.

***

Depois que conheci esse vídeo, no canal do youtube “O Lugar”, numa entrevista realizada com a mestra Jetsunma Tenzin Palmo, comecei à ler mais sobre o amor genuíno também ilustrado pelo budista. Percebi o quão errado andei amando as pessoas e por quanto tempo. Por isto, ainda hoje, tenho um pouco de rancor e remorso quando me recordo das pessoas que se foram e como isso me afetou profundamente. Porém, estou aprendendo a me desfazer desse apego e dos males que ele carrega.

Espero que você também possa levar essa forma de amar, genuinamente, para a sua vida.

Namastê.

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4 opiniões sobre “O Amor Genuíno”

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