Ai essa minha louca mania de amar…

O que a ciência diz sobre a humanidade e as outras espécies refere-se ao campo de desenvolvimento daquilo que chamamos de consciência. A percepção do “eu” e o “outro”. Ou simplificando mais ainda, é saber quem somos e entender o outro. Estar a par do que fazemos, por que fazemos e quais são as consequências de nossos atos. Mas nem sempre, por essa visão, somos completamente conscientes. Não é mesmo?

Acho que sou movido mais pelo inconsciente do que pelo consciente. Nem sempre sei disser o porquê do que fiz ou entender os motivos que me levarama escolhas, surpreendentemente, curiosas e fora do normal. Poderia enumerar dezenas delas, mas quero manter o foconaquele que sempre será o mais fadigoso de todos os meus excêntricos hábitos.O sentimento de amar.

Amar e somente amar. Simplesmente amar. Amar indiscriminadamente. Amar sem limites. Amar e só amar. Na teoria, expressa em todos os manuais espirituais, nas bancas de revistas ou em prateleiras de livros de autoajuda, o problema é mais complicado e controverso quanto se apresenta nessa encantadora palavra de quatro letras. Por que nem sempre é tão fácil quanto parece!

Ate hoje, amar sempre absorveu muito do tempo que possuo. Começo logo pela manha, arrasto-me pela tarde e quando vejo, já pelas tantas da madrugada, tenho de inclinar-me aoutros pensamentosafim de desviar minha atenção para bem longe dessa sensação, dessa vontade de entender o que eu não sei ainda e encontrar algumas horas de descanso antes de acordar logo pela manha e recomeçar de novo os meus questionamentos, minhas prerrogativas e minha confusão normal.

No entanto, prefiro me disser um apaixonado em tempo integral, porque não vejo limite no tempo que levo pensando sobre esse sentimento. E como isso agride corpo e alma. Parece poético, mas são bem visíveis os efeitos que o amor proporciona no corpo e na mente de que se abre para ele. Tem o poder de destruir ou transformar, como um fenômeno.Não é maligno ou benigno, somente age de acordo a sua natureza. Mesmo sendo um circulo vicioso no qual fico rodando com um peru de festa, a integralidade com algo tão profundo e misterioso ajuda nas horas de duvida sobre quem sou eu.

“Querer entender” não é o mesmo que “poder entender”. Mas concluo certas verdades encima do que faço por amor, mesmo me sendo um completo vazio outras coisas. Mas vá lá!

Não me motiva a ideia de só disser “te amo”. Parece tão raso, tão simples encher os pulmões e falar como quem não quer nada. Preciso ir mais além, deixar nítido e indubitavelmente explícito o porquê da minha cara de idiota enquanto vejo a pessoa ao meu lado enquanto toma um simples sorvete e, mesmo assim, acha-la tão interessante quanto um pôr-do-sol no deserto. Tenho de mostrar-lhe o que é amar.

No filme “Doce novembro”, aprendi como pequenos atos, mas de grande significado e expressão, demonstram o que é amar. O tempo não é definido quando se esta amando. Somenteo prazo dele se manifestar e nos envolver. Isso sim é importante. Parece bem traiçoeiro, mas tudo é inesquecível quando é frágil e volátil. Essa é a razão do amor. Não é a sua durabilidade, mas sua intensidade que torna especial e eterno enquanto durar. Uma hora, um dia, um mês ou séculos. O que queremos é o momento, o olhar e o beijo, o presente. Isso sim é relevante. Por isso só temos cuidado com aquilo que realmente pode ser quebrado e se perder pra sempre. Que aos poucos, perdendo a nitidez, desaparece numa lacuna na lembrança. Apagado e esquecido. Assim é o amor, feito para ser apreciado na consciência de poder terminar tão breve quanto começou. Como dizia Saramago, “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”. Não acelere e nem planeje demais o futuro, isso somente o tornara um profundo sonhador enquanto o presente corre sem a atenção necessária. Já perdia amores assim.Negligenciei atenção a quem merecia e não percebi o quanto estava envolvido com coisas inconcretas.

Seja “presente”, use-o a seu favor. Não viva preso ao passado ou fissurado pelo futuro. Ame agora.

Outro filme que expressa o sentimento de amar em varias facetas é o filme britânico estrelado por vários atores conceituados, e curiosamente um dos primeiros filmes estrangeiros em que podemos apreciar a performasse do ator Rodrigo Santoro. O filme é “simplesmente amor”.

Podemos amar um irmão, um amigo, a esposa do nosso melhor amigo, amar um enteado, amar um padrasto, amar e perdoar, amar e superar barreiras linguísticas, culturais e financeiras. Não importa quem amamos e como amamos, sempre será amor. Amar é não ser tão importante sozinho, mas no contexto da obra, ser inesquecível.E muitos caminhos sempre levam a um lugar comum. Para Roma ou amar (notou que uma palavra é o inverso da outra?).

Ame simplesmente. Tente não complicar e estragar tudo bancando o cético.

Aparentar incerteza não é algo tão ruim e agir por impulso não é burrice, mas ter coragem para reconhecer que temos medo, isso sim é algo a ser relevado. Amar pode nos deixar em duvida. E quando houver duvida, arisque. Essa é uma das belezas de amar. Tristemente aprendi tarde de mais, mas a tempo de ariscar por alguém.

 

Já tive muitos namorados. Todos especiais cada um a seu modo. Quando existe amor, existe aprendizado, por que você esta atento a cada movimento, a cada ação da pessoa amada. Aceitando estar errado às vezes e não ser orgulhoso demais para pedir perdão.

Não tenha um olhar vago. Saiba enxergar a outra pessoa da forma que ninguém mais vê. Use os olhos do coração. Porquecom o tempo, as brigas e discussões, a falta de tempo e as diferenças, podemproporcionar o crescimento de uma nevoa de incertezas e insegurança, por isso, é sempre bom estar atento, vigilante para não cometer injustiças capazes de magoar alguém. Não deixe que as pessoas se afastem de você. Às vezes pensamos seremos donos da razão, mas se passássemos mais tempo tentando entender os motivos por que algumas coisas acontecem, seriamos mais justos, conosco e com os outros. Então quando da próxima vez se sentir magoado, tente colocar-se no lugar de quem o magoou e aprenda a ver mais do que o seu ego e seu pré-julgamento pode mostrar.

 

Mas como é difícil ser humano.

Alguns amigos perguntam frequentemente por que, depois de tantas tentativas frustradas, ainda me comporto como se fosse à primeira vez? Por que ainda faço declarações de amor? Com posso passar horas maquinando uma forma nova de disser eu te amo criativamente a alguém que logo poderá ser só mais uma pessoa comum?

Pode parecer sem sentido – muito sem sentido – mas não me preocupo se é verdade ou não o que me dizem.Ela é relativa demais. Sei quenunca haverá a certeza completa, senão a minha certeza. Tudo pode ser para sempre ou simplesmente ate amanha e essa possibilidade pode destruir o sonho ao qual estou vivendo. Por isso somente me preocupo com o mais importante; a consciência do que estou fazendo e porque estou fazendo. Por amor ou pelo simples prazer de amar.

Tento ser especial para os outros. Quando estou apaixonado, me sinto feliz por dividir essa sensação com quem estiver por perto. Amigos, familiares, desconhecidos. Conto a todos sobre como estou me sentindo e o que planejo fazer sobre. Falo dos meus sentimentos com Deus e o mundo. Mando infindáveis mensagens pelo telefone. Gosto que todos, principalmente a pessoa que fez esse sentimento reviver dentro de mim quando eu pensava estar morto enterrado em terra seca, saibam o quanto estou feliz. Não faço para espalhar a inveja, somente tento espalhar um pouco de esperança.

Parece ser bobo, mas é a minha maneira de agradecer por ter mais uma chance e esperar que isso se repita como uma corrente.“Se eu posso viver isso, você também pode”.

 

Odeio ouvir de pessoas pessimistas: “amar é ilusão”.

Mas alguém me perguntou se quero viver uma ilusão? Então repondo assim mesmo. “Sim, eu prefiro viver um sonho”. Prefiro ensinar alguém o prazer de acreditar e viver um sonho. Já tive sonhos esmigalhados por pessoas frias e insensíveis e quase perdi o prazer e a vontade de acreditar que haveria outro lugar para mim.

Mas quando penso em desistir… Sempre surge um novo começo,outra nova chance.

E essa minha chance se chama Rodrigo. Por mais que não acredite, às vezes me deixe louco quando desaparece no ar, emprega a tortura do ciúme no meu coração e invente inúmeros apelidos sobre minha prematura calvície, é ele quem fez a proeza de encontrar e mostrar um lado meu que era desconhecido ate de mim. E eu não teria tido a consciência de tudo que foi escrito nessa crônica senão fossem os dias que passamos juntos. As melhores respostas vêm do nosso interior. A verdade mais doce esta escondida dentro de nós, só precisamos das chaves certas para abrir portas trancadas. A minha chave foi ele.

Acho que por enquanto é só isso. Não que tenha acabado. Ainda tenho muito a aprende com o meu Pequeno Príncipe Rabugento.

 

 

Anúncios

O medo de ter medo.

Esse dever o terceiro ou quarto blog que venho à criar na vida.

No entanto, o único com a ideia absurda de falar sobre “quem sou eu”, o que faço e sinto. A principio senti certa consternação com a ideia de estar vulnerável, exposto, entregue a critica e a reprovação das pessoas que venham a ler cada linha dos textos que seguirão por dias, semanas, meses e anos de minha vida.

Em outras experiências literárias, ocultei pensamento por trás de textos líricos, crônicas fictícias, epílogos de romances e poesias que fugiam (às vezes) até mesmo do meu próprio entendimento. Possivelmente seja mais por medo do que por qualquer outra coisa essa inibição de botar pra fora os pensamentos mais impróprios.

Sim, medo!  Sinto medo.  Apesar de gay assumido. Apesar da facilidade de expressar-me, seja publica ou anonimamente, apesar da sarcástica forma, nada sutil, de aferroar pessoas. Sinto muito medo do que algumas dessas “pessoas” possam pensar sobre quem sou. por isso ser algo que não sou parece ser tão atraente.

Por medo, criamos camadas e mais camadas de uma pegajosa mentira que nos propomos ser, inventare, aos poucos, acreditar.Chegando a ponto de nos perder e não achar o caminho de volta.Já estamos presos demais na lama.

Porém fingir é fácil, o difícil é ser. Ser honesto consigo e com o mundo é uma das poucas virtudes em voga nessa época em que nossa comunicação alcançou limites inimagináveis, vivemos conectados a “rede” quase integralmente.

Evitamos ser responsável por nossos atos e arcar com as consequências. Boas ou ruins. Ser dono de si, da sua opinião. Ser independente. Enfim, ser você mesmo, aconteça o que acontecer e nunca perder o foco disso. Chamamos isso de ser autentico.

A autenticidade é um caminho solitário. Criamos alianças pelo percurso, mas boa parte do tempo é só você e mais ninguém. Faz parte do autentico ferir sentimentos de pessoas alienadas, mesmo que próximas, que não compreendem o valor e o significado da liberdade. Sei muito bem como é magoar outra pessoa por acreditar em algo e da mesma maneira já precisei ficar um tempo sozinho e me esquecer de palavras como, “te amarei para sempre” ou “eu nunca teria coragem de fazer mal a você”. Foi assim que aprendi a pesar minhas palavras. Mas às vezes fingir que não sei do que se trata é a melhor maneira de fugir e não enxergar o fim de algo tão lindo quanto à ilusão de ser amar quem não nos ama.

Mas bem dizia Renato Russo, “liberdade é disciplina”. Não é necessário fugir ao sistema como também não esta certa a ideia de deixar-se enganar, só procure utiliza-lo a seu favor. “você não trabalha para o dinheiro, o dinheiro trabalha pra você!”, nunca me esquecerei dessas palavras de um sábio amigo oriental que muito me ensinou em pouco tempo. Pessoas especiais são sempre as mais rápidas em nossas vidas, não é mesmo? Por que não usar o valioso tempo que corre e nunca saberemos se é próximo ou tardio o seu fim para apreciar as verdadeiras coisas importantes na vida?

Por isso estou aqui. Este é o meu armário, essas são as minhas coisas. É o meu interior e o que penso sobre.

Quero dividi-lo com você, seja quem for e pelo tempo que me resta. Talvez não goste de ler minhas certas verdades ou passe a ver-me de outra maneira quando pela rua notar um garoto estranhamente lendo enquanto caminha. No melhor estilo Cris. Um olho nas paginas outro no chão.  Assim possivelmente revertereià ideia de que tinha de mim, ou atenua-la.

Mas veja por trás da minha atitude arrogante e sarcástica o meu jeitinho brincalhão, debaixo das palavras de profunda expressão cômica, que não sou má pessoa. Sou somente aquilo que posso ser.

Sou só eu, o Cris.

Então aproveite a leitura. Não prometo ser sempre interessante, mas tentarei ao máximo escrever o importante e verdadeiro sentindo que me trouxe ate aqui. Pra ser franco, nem mesmo eu sei. Mas essa viagem é pra dois. O motorista e o passageiro. Escolha o seu lugar, temos muito chão pela frente!

09 de janeiro de 2012

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." Clarice Lispector (1920-1977)

Experiências de um Técnico de Enfermagem

Enfermagem Ilustrada para Técnicos de Enfermagem e Estudantes: Este é um blog destinado a compartilhar experiências e informações voltados aos técnicos de enfermagem.

Mundo Poli-Amoroso

A topnotch WordPress.com site

Amanohara

天の原

primitivetechnology.wordpress.com/

Making stuff from scratch in the wild

Budismo Petrópolis

Introdução ao budismo e à meditação. Budismo para inciantes. Budismo e meditação para o mundo contemporâneo.

Sanga Soto Zen Budista Águas da Compaixão 慈水禅堂 Jisui Zendô

Blog informativo da Sanga Soto Zen Budista Águas da Compaixão, de alunos da Monja Isshin em Porto Alegre, RS

O que não falo

Não sei o que vai sair disso

Histórias de Papel

Resenhas por Caroline Gurgel

Cachorros Fumantes

Somos um grupo secreto. Nosso objetivo é, secretamente, contribuir para fazer do mundo um lugar melhor. Somos todos personagens alter-egos do jornalista Rodrigo Rezende e mais algumas coisas. Para falar com ele, mande um e-mail para papelvegetall@hotmail.com. Seja bem-vindo!

Latuff Cartoons

"A função do artista é violentar" (Glauber Rocha)

Pedaços da Minha Vida

O amor é pilastra de toda vida

Universo Inconsequente

"Assim como o universo somos inconstantes e infinitos a serem descobertos."

Cruze a Fronteira

"Beyond every bend is a long blinding end"

Eu, nós dois e todo mundo

Sobre amor e falta dele, otimismo, utopia e desconforto. Uma caricatura de pós-moderno em um mundo todo louco.