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O Homem Da Terra (2007)

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Sou fascinado por pessoas idosas. Quanto mais velhas, mais tenho a perguntar sobre suas vidas. Sento-me e passo minutos, horas, ouvindo os relatos dos anos que viveram.

Muitas dessas pessoas tinham seu centenário, declinavam em direção à morte enquanto relatavam sua vida, num retrocesso, buscando atrair de volta suas vidas passadas. Meu fascínio sempre foi um misto de admiração e medo. Nascemos, crescemos e morremos. Isso é apavorante.

Mas imagine se num dado momento desse processo chamado vida alguma coisa acontecesse. Você não envelheceria mais e viveria por 14 mil anos? Inacreditável?

No filme, “O Homem da Terra”, vislumbramos uma obra prima e a prova de que um filme não precisa de cenas espetaculares e efeitos especiais milionários para ser um excelente motivo para se prender ao sofá e não respirar até o seu final. Só precisamos de uma doze de conhecimento, atenção e imaginação para embrenhar na mente do homem de Cron-magno chamado John e sua obsessão pela vida eterna, um tanto quanto não opcional, e nos perguntar, “e se…?”.

É um filme para pessoas que, como eu, gostam de ouvir e especular sobre certas verdades incontestável e como podemos nos comportar de formas relutantes ao ouvi-las.

Sinopse

O professor John Oldman esta de mudança, abandonando sua carreira sem justificativa, seus amigos preparam uma festa de despedida e começam a perguntar o porquê de sua repentina mudança, pressionado ele começa a sugerir a idéia de como seria um homem da caverna que fosse imortal até os dias de hoje. Ao passar da suposição ele mesmo assume que possui 14.000 anos de vida!

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Quinze Polegadas

“Dedico cada linha desse texto

a Rodrigo, por essa inspiração a acordar-me

no meio da noite.”

 

Nada acontece por acaso. Ninguém aparece por acaso, da mesma forma que ninguém vai embora por acaso.

Com o passar dos anos, vamos percebendo as artimanhas da vida que, sem forçar nada, faz com que as coisas aconteçam.

Num dia normal, você encontra todos os sinais vermelhos rumo ao seu trabalho. Você se enfurece! O cliente está esperando, horário marcado, obrigações e, simplesmente, você não consegue andar num ritmo constante. Eis que, chegando ao seu escritório, você se depara com um acidente terrível. Em suma, se os sinais não estivessem fechados, quem garante que não seria você a vítima do acidente?

Sua agenda, lotada de pacientes. Tudo encaixado e organizado. Você preparado para cada atendimento. Todos resolvem faltar numa quinta-feira à tarde. Você se revolta, esbraveja. No meio da tarde, uma surpresa: um grande amigo que você não via há anos está na cidade. Por “ironia” do destino, sua agenda permitiu o encontro.

***

No corredor de um supermercado, você esbarra com um homem e deixa cair rolos de papel higiênico no chão. Juntos, desculpam-se pela trombada. Olham, fixamente, dentro dos olhos de cada um… Algum tempo depois, estão casados, com uma bela família.

Foi assim com Isabela.

Numa madrugada tediosa, onde a TV não atraía em nada, ligara o computador. Sem qualquer pretensão, leu as notícias, viu alguns vídeos engraçados, baixou algumas músicas novas.

As horas eram imóveis. Resolveu entrar num chat. Começou a conversar com várias pessoas e, dentre elas, alguém chamou atenção. Quando deu por si, não falava com mais ninguém além dele, aquele estranho que se intitulava “CARA LEGAL AFIM”. Resolveram trocar MSN e a conversa continuou, mal haveria, teria cautela. E isso se arrastou por horas, por dias, por meses…

O que não era pra ser compromisso virou necessidade. Preocupações diárias com o bem estar daquele ser virtual, que tanto te fez bem, que tanto quer o seu bem! Conversas perfeitamente encaixadas, pensamentos conjugados, vidas semelhantes – no sentido de terem uma vida à parte, fora das telas de quinze polegadas.

Mas como explicar se não pelo Destino, a vontade de Isabela e Rodrigo (assim chamava o cara legal) estarem juntos a vida toda, online quando quiserem? Como explicar a atração que um sente pelo outro, sem ao menos terem se visto?

Ele a lê perfeitamente, com todas suas vírgulas, pontos e parágrafos. Ela o entende, o questiona, motiva a ser real. Um pensa no outro, seja na reunião do trabalho, seja na fila do banco, no supermercado.

A explicação para certas situações é o destino, com certeza.

Agora, os motivos nunca são explicados: por que Isabela e Rodrigo, numa madrugada tediosa, deixaram suas famílias de lado e se apaixonaram? Que tipo de peça o destino quer pregar em duas pessoas que tem outras pessoas diretamente ligadas a eles? Ela com seus filhos e marido. Ele, idem. Por que não juntar duas pessoas disponíveis para tamanha afinidade?

Seriam ambos, almas gêmeas? Seriam espíritos com a missão de se reencontrarem em outras vidas para terminarem um determinado assunto ou missão?

Deixando o lado espiritual de lado, creio que encontros assim sirvam para mostrar a realidade que temos. Muitas vezes, só nos damos conta de nós mesmos, quando nos perdemos no outro. Só nos importamos com os outros, quando temos medo de perdê-los, por erros nossos. Ora, ressuscitamos relações tatuadas pela rotina, através de toda a vivacidade que uma terceira pessoa agrega aos nossos dias. Renascemos porque outra pessoa acredita que a vida não pode ser assim e, de um modo particular, nos dá opções até então não vistas por nós, em virtude dos inúmeros muros e grades que insistimos em colocar a frente dos olhos e do coração…

Quando alguém aparece e te faz perder o fôlego, se perder de si mesmo e faz ver o mundo de forma diferente e nova, acrescentando sabores doces e ácidos, é momento de parar. Parar e ver, por e para você mesmo, quais os rumos que a vida anda tomando.

Pode ser que essa pessoa que te acordou, vá embora, numa bela manhã de domingo, sem dar um tchau que seja. Pode ser que a pessoa se transforme, literalmente, no seu despertador diário.

Resta, apenas, agradecer todos os dias.

Isabela se perdeu em Rodrigo. Rodrigo se perdeu em Isabela. Mas suas vidas, por acaso ou destino, somaram-se, tendendo ao infinito…