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Vira-Latas

Vamos falar sobre desejos.

Eventualmente encontro alguém que nutre profundamente o instinto materno quanto o pai que brinca com o filho num banco de praça esquecendo-se do resto do mundo que o observa. Tantos homens quanto mulheres desejam ser pais. Digo até ser isto algo comovente.

Mas muito também indago sobre essa vontade.

As respostas costumam ser as mesmas. “quero dar todo o meu carinho a alguém”. “Quero ter alguém para transmitir o que aprendi”. “Quero cuidar de alguém”. “Quero alguém que valha a pena”. Infinitas são as respostas, nenhuma me convence “ser amor o que deveras sentes”, diria o poeta. Continuar lendo Vira-Latas

O Amor, a Fome e o Vento

fome de amor

Tem horas dos dias que eu acho que poderia comer um cavalo de tanta fome. Isso é um aspecto comum meu. Isso sempre tem àquela hora certa para começar, lá pelas onze da manhã começa o rosnado furioso do estomago. Corro escada a baixo, bato o ponto no trabalho e fujo pela rua à fora sofrendo tristemente os vinte minutos que me separam do bem aventurado almoço do meio dia numa caminhada longa até em casa. Isso, por mais chato que seja, é uma rotina diária para mim. Algo que tento me acostumar apesar dos pesares. Mas, sofrer por amor, isso também é algo que se tornou rotineiro para cada um de nós?

Às vezes pego-me pensando em uma forma de descrever o que é o amor, ou, qual a finalidade dele. No entanto, muitos outros viveram e morreram procurando objetividades para descrever de forma minuciosa esse sentimento e, no entanto, ainda não entendemos como tudo começa, se desenvolve e termina. Só sabemos que é uma necessidade, uma fome da alma que não acaba e é impossível conviver, sem sacia-la, para sempre.

Existe uma questão interessante, porém, que eu gostarei de explanar junto de você, algo que me passou pela cabeça quando – de forma descontraída – caminhava com uma amiga pelos corredores da empresa.

– Então, você quer se casar? – indagou-me ela. – Jurar amor eterno?

Essa pergunta me fez pensar no tempo que venho namorando Rodrigo, sobre os altos e baixos, momentos maravilhosos e turbulentos que passamos juntos e não tive a menor duvida da minha resposta:

– Claro que sim! Afinal de contas, preciso de alguém que passe as minhas camisas. Sou péssimo com o ferro de passar! – Respondi descontraído, mas com a certeza de que havia algo sério naquela pergunta.

Sobre o fato de jurar amor eterno, respondi que todo amor é eterno e único. Como se fosse o oxigênio que orbita a terra e se manifesta na forma de vento manso ou uma turbulenta tempestade. Assim é amor às vezes, suave e constante, ou, feroz e passageiro. Contudo, sempre é amor.

Saber que amo alguém é não permanecer inerte, omisso. É preciso manifestar-se, tentar manter a direção que ele sopra e não temer seus vendavais. É saber que se tem fome e mesmo assim ser paciente, porque um dia todos seremos saciados.