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Minha Mãe Me Deixou Sofrer

redenção2009 (20)

Uma das coisas que nós torna únicos entre os animais é a capacidade de sentir amor. Claro, o seu labrador pode alegrar-se ao te ver, mas isso não se compara a anos de dedicação cuidando de alguém idoso, ou o casamento de cinquenta anos, ou também o desejo inconsciente de salvar uma vida.

Toda via, esse sentimento nos faz cometer erros gravíssimos. Aceitáveis a um certo, mas que pode acarretar o arrependimento de ter se dedicado tanto a alguém e muito pouco à nós.

Sou o tipo de pessoa que ouve inúmeros relatos de vida. Um baú de segredos, como um padre no confessionário, só que não digo ao outros para rezar dez ave-marias e mil pais-nossos. Tento somente ouvir. Por que ouvindo posso ajudar muito mais do que especulando o por que daquilo estar acontecendo.

Recentemente, uma colega procurou-me para relatar a amargura de sempre fazer tudo para pelos filhos, cuidar, educar e sempre corrigir, e mesmo assim, não consegue torna-los as pessoas que tanto idealiza.

– Você precisa deixar que elas se ferrem na vida – ela olhou-me como se eu houvesse dito alguma atrocidade. Resolvi então explicar.

– Quando eu tinha 19 anos, mudei-me para o Rio Grande do Sul. Não tinha nada mais que 500 reais no bolso, uma passagem de avião e uma mala cheia de roupas. Mas queria me aventurar, viver a vida, amar intensamente alguém. Queria mudar minha vida. Vivendo aquela situação, um dos filhos preparando-se para voar para o outro canta do país, minha mãe não pode fazer nada mais do que aguentar dentro de si o pedido para que eu ficasse e deixar que eu fosse embora.

Alem das aventuras, amores e alegrias, passei por inúmeras situações pelas quais me perguntei por que ela havia me deixado ir embora e não me impediu de cometer aquela loucura. A resposta era clara, eu precisava viver a vida, me ferrar legal e depois tirar o melhor de tudo.

Quando amamos alguém, queremos protegê-los do mundo. Criar um redoma de vidro em que possam ser felizes para sempre, até mesmo renegando a nossa própria alegria para vê-los seguros. Isso é errado.

Proteger é torná-las fortes, indestrutíveis e capazes de se cuidarem. Dar-lhes uma dose de dor para saber quando identificá-la e manter-se longe dela.

Minha amiga começou enxergar melhor o quadro de sua vida. De como havia passado muito tempo superprotegendo as filhas e deixando que a sua vida se deteriorar junto com seus sonhos que logo não se sentiu mais confusa e perdida. Gostei de ajuda-la com um pouco da minha experiência de vida, de como absorvemos tantas coisas e pouco usamos para nosso ou para o beneficio dos outros.

E lembrar é sempre bom.

Escritores da Liberdade (2007)

O que nos torna único? Nosso idealismo. Sem ele não somos ninguém.

Hoje, depois de anos, reassisti um dos filmes mais marcantes da minha vida. Foi como voltar no tempo, sentado na cadeira polida, as mãos entrelaçadas sobre a carteira. Dentro da sala de vídeo, mergulhado na conversa desenfreada dos outro colegas esperando para assistir mais um filme chato da aula de português. Depois teríamos de escrever uma resenha sobre o filme, a pior parte com certeza. Mas que escolha havia? No entanto, agradeço muito não ter tido a escolha de ir para o pátio e esperar o fim do filme.

E do murmuro fez-se o silencio, da sala escura a única luz vinha do monitor. Letras em Time New Roman apareceram e o titulo parecia engraçado. Acabara de começar “Escritores da Liberdade”.

Ate o fim fomos criaturas atentas. A vida nos pegara de jeito. Éramos cativos por que éramos nós dentro do filme.

Adolescentes, arborescentes, rejeitados. Uma voz abafada. Éramos o futuro que nunca chegaria.

Sempre achei linda essa frase hipócrita, “as crianças são o futuro da nação!”. Jurei a mim mesmo nunca repetir essa frase na vida. É a forma mais covarde de tirar a culpa dos erros do presente, esquecer a feridas do passado e fingir que esta tudo bem.

“Não esta tudo bem, querido senhor presidente!”. O medo que tortura, a violência, as drogas e a liberdade que morre sufocada a cada dia não esta em suas mãos concerteza, meu caro vereador. Digníssimo prefeito ou a vossa excelência. O futuro não são crianças. São mãos.

Essas mãos que se agarram em diários, livros e provas. Sujas de giz. Mãos poderosas que não se cansam. Mãos que possuem corpos, corpos que possuem almas. Almas atentas, como anjos, às vezes não reconhecidas pela força de uma nação.

“Professores, obrigado. Admiro e sempre admirei a coragem de trazer luz à escuridão mais profunda. De salvar vidas antes que elas se percam. ensinar e aprender. Sei que é difícil, mas, por favor, não desista do nosso futuro. Cada batalha exige muito, mas um dia poderemos disser que todas as derrotas tiveram seu peso dobrado pela vitoria.”

E para mim, após cinco anos, o filme ainda não acabou. Acho que seria uma ótima escolha para a minha primeira aula… um dia.

Sinopse

Uma jovem e idealista professora chega à uma escola de um bairro pobre, que está corrompida pela agressividade e violência. Os alunos se mostram rebeldes e sem vontade de aprender, e há entre eles uma constante tensão racial. Assim, para fazer com que os alunos aprendam e também falem mais de suas complicadas vidas, a professora Gruwell (Hilary Swank) lança mão de métodos diferentes de ensino. Aos poucos, os alunos vão retomando a confiança em si mesmos, aceitando mais o conhecimento, e reconhecendo valores como a tolerânica e o respeito ao próximo.