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Um Lugar Seguro

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“Dedico cada respiração a Ela, uma flor de aço”.

Por volta dos meus sete anos, perdi o movimento das pernas.

Tenho algumas poucas lembras desta época, apesar de ser uma das passagens mais marcante de minha vida e não compreendendo bem o que acontecia, quero aqui escrever sobre ela.

Foram dias difíceis. Lembro vividamente da dor causada pelas crises reumáticas, do terrível tratamento com benzetacil, um antibiótico intramuscular que muitas pessoas devem conhecer. Ele era ministrado quatro vezes por semana em mim. Lembro dos hematomas em forma de mordidas nos braços e pernas de minha mãe, que compadecida do meu sofrimento pelo tratamento, deitava-me de bruços sobre seu colo e não se importava de sentir a mesma dor que eu. Continuar lendo Um Lugar Seguro

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Minha Mãe é Uma Peça (2013)

minha mãe é uma peça

Já ouvi de tudo sobre as mães.

Que elas são malucas, sem noção, chantagistas. Mas na verdade é tudo isso e um milhão mais. Por que o mundo é delas e elas tomam conta por completo do mundo todo.

E se o ditado ser mãe é padecer no paraíso for levado em consideração, a historia de dona Hermínia é a divina comédia da confusão e aventuras de uma mãe como a sua e a minha que sempre vão sair como loucas na rua sacudindo uma cueca que você esqueceu-se de colocar na mochila quando resolveu dormir fora de casa pela primeira vez (vergonha!). Mostrando o álbum de foto de quando você só tinha dois anos e ainda comentar com o seu lulu era enrugadinho (vergonha!). Falar que você esta gordo na fila do supermercado, mas nunca aceitar que alguém diga o mesmo. Quebrar o pau com a vizinha dizendo que não quer o filho dela andando com um delinquente, porque pra mãe, só o seu filho é o que anda com má companhia e nunca é uma também. Ou até quando você tem vinte cinco e ela insiste em ligar pra saber a hora que vai voltar pra casa, e quando você vê que é ela quem está ligando e não atende, ela liga pro bar e pede pra falar com o filho ingrato que ela tinha que ter abortado. Mas é tudo drama, porque elas amam os filhos e sempre falam que “foram a única coisa de boa que aquele traste do ex-marido vagabundo fez pra vida delas!”

E de tanto amar, tem o ciúme mais mortal do mundo!

Mãe no fundo odeia nora, só pelo fato de ter levado seu bebe embora. Mãe nunca esta pronta para perder um filho. Na realidade, quando o filho de uma mãe morre é como se o de todas tivesse morrido também. Esse talvez seja o maior medo e o que de força para elas acordarem tantas e tantas vezes ao logos dos anos para ter certeza que o seu bebe de dezoito anos ainda respirando na cama.

Hipocondríacas que só elas. E se a bendita da menina perder um quilo, a filha ta morrendo, e tem que fazer exame, e quebra hospital, e compra vitamina, e faz chá disso, garrafada daquilo, se culpa, culpa a merendeira do colégio, culpa o governo, a economia mundial…

Mãe é uma força da natureza, que move tudo e não deixa nada parar… Porque se parar o corro come!

E mãe pode ser uma tia, uma avó, professora, um pai. Porque não importa quem seja contanto que tenha amor suficiente para levantar um carro por cima da cabeça se a cria estiver em apuros e aquela vontade de “encher de tapa o filha da puta daquele menino quando resolve subir naquela porra de árvore quando eu falei mil vezes (mentira que nem foi tanto assim) ‘você vai cair daí sua peste e vai quebrar esse braço, ai eu quero ver a hora de correr pro hospital!’”

Porque mãe é mãe, essa peça única.

Sinopse

Dona Hermínia (Paulo Gustavo) é uma mulher de meia idade, divorciada do marido (Herson Capri), que a trocou por uma mais jovem (Ingrid Guimarães). Hiperativa, ela não larga o pé de seus filhos Marcelina e Juliano (Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo), sem se dar conta que eles já estão bem grandinhos. Um dia, após descobrir que eles consideram ela uma chata, resolve sair de casa sem avisar para ninguém, deixando todos, de alguma forma, preocupados com o que teria acontecido. Mal sabem eles que a mãe foi visitar a querida tia Zélia (Sueli Franco) para desabafar com ela suas tristezas do presente e recordar os bons tempos do passado.

Minha Mãe Me Deixou Sofrer

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Uma das coisas que nós torna únicos entre os animais é a capacidade de sentir amor. Claro, o seu labrador pode alegrar-se ao te ver, mas isso não se compara a anos de dedicação cuidando de alguém idoso, ou o casamento de cinquenta anos, ou também o desejo inconsciente de salvar uma vida.

Toda via, esse sentimento nos faz cometer erros gravíssimos. Aceitáveis a um certo, mas que pode acarretar o arrependimento de ter se dedicado tanto a alguém e muito pouco à nós.

Sou o tipo de pessoa que ouve inúmeros relatos de vida. Um baú de segredos, como um padre no confessionário, só que não digo ao outros para rezar dez ave-marias e mil pais-nossos. Tento somente ouvir. Por que ouvindo posso ajudar muito mais do que especulando o por que daquilo estar acontecendo.

Recentemente, uma colega procurou-me para relatar a amargura de sempre fazer tudo para pelos filhos, cuidar, educar e sempre corrigir, e mesmo assim, não consegue torna-los as pessoas que tanto idealiza.

– Você precisa deixar que elas se ferrem na vida – ela olhou-me como se eu houvesse dito alguma atrocidade. Resolvi então explicar.

– Quando eu tinha 19 anos, mudei-me para o Rio Grande do Sul. Não tinha nada mais que 500 reais no bolso, uma passagem de avião e uma mala cheia de roupas. Mas queria me aventurar, viver a vida, amar intensamente alguém. Queria mudar minha vida. Vivendo aquela situação, um dos filhos preparando-se para voar para o outro canta do país, minha mãe não pode fazer nada mais do que aguentar dentro de si o pedido para que eu ficasse e deixar que eu fosse embora.

Alem das aventuras, amores e alegrias, passei por inúmeras situações pelas quais me perguntei por que ela havia me deixado ir embora e não me impediu de cometer aquela loucura. A resposta era clara, eu precisava viver a vida, me ferrar legal e depois tirar o melhor de tudo.

Quando amamos alguém, queremos protegê-los do mundo. Criar um redoma de vidro em que possam ser felizes para sempre, até mesmo renegando a nossa própria alegria para vê-los seguros. Isso é errado.

Proteger é torná-las fortes, indestrutíveis e capazes de se cuidarem. Dar-lhes uma dose de dor para saber quando identificá-la e manter-se longe dela.

Minha amiga começou enxergar melhor o quadro de sua vida. De como havia passado muito tempo superprotegendo as filhas e deixando que a sua vida se deteriorar junto com seus sonhos que logo não se sentiu mais confusa e perdida. Gostei de ajuda-la com um pouco da minha experiência de vida, de como absorvemos tantas coisas e pouco usamos para nosso ou para o beneficio dos outros.

E lembrar é sempre bom.