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O Assassino Oculto

cronos

Se os cálculos estiverem certo, hoje eu completaria nove anos de prisão.

O cérebro humano é capaz de coisas surpreendentes. Mesmo tonto pela tentativa frustrada de sufocamento, ele conseguiu calcular com precisão o local onde eu precisava desferir o golpe para matar meu agressor. Meu braço se ergueu até as telhas baixas da varanda e agarrou o cabo do facão preso entre as madeiras. Parecia tudo muito bem orquestrada. Meu coração estava disparado como um animal correndo pela savana. Eu não era a pressa. Nos meus olhos a fúria que rugia era de um predador. Ele não se safaria, mesmo que percebesse o que eu estava planejando, qualquer reflexo seria tardio. E por alguns centésimos de segundo, eu tive sua vida em minhas mãos e eu estava decidido a dar um fim definitivo em sua miserável vida. Continuar lendo O Assassino Oculto

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Adeus, Santa Maria!

santa7

“Dedicado a todos os amigos

que se foram em Santa Maria”.

Em breve, teremos de dizer adeus a algumas pessoas.

Permanecer imóveis, observando as lembranças, gradativamente, desaparecendo entre os anos de saudade que iram tentar aos pouco roubar a memória de um sorriso. Às vezes desejaremos termos ido com eles, outra, gostaríamos muito de que nada houvesse acontecido.

Desejaremos tanto isso, que por um segundo será possível ouvir alguém chamando no portão da frente. “Ai estão vocês!” pensaremos ao ver aquele bando de loucos que chamávamos de amigos convidando para tirar a bunda da frente do computador e sair para aproveitar o domingo, “onde andaram por tanto tempo?”, e seriamos felizes novamente, por um segundo.

Amigos, irmãos, amores. Todos vocês farão falta um dia. Teremos de nos separar por forças impossível de controlar, forças incompreensíveis de certa forma, e que um dia haverá de ser entendida como a vontade de algum Deus. “Acho que Deus deveria ser proibido de nos tirar quem amamos”.

Mas a realidade mesmo é que não estamos, e nunca estaremos, preparados para perdê-los. Como seria ótimo demorarmos mais algum tempo, “fica, vai ter bolo!”. Mas a noite se aproxima e temos de deixa-lo partir, contentados com um ultimo sorriso e um “até logo” inocente. Para que  mais um dia passe e esse logo nunca chegue, a não ser o remorso de não ter feito mais, sido mais e amado mais. Viveremos entre a saudade e o arrependimento de não ter feito tudo o que fora possível, tornar os seus dias mais lindos, escrever-lhes mais cartas e visita-los mais vezes. Ter dito eu te amo debaixo de uma figueira logo depois do sol se pôr e ter aquela lembrança de um dia ter dito tudo o que nos era importante em poucas palavras, mas não dizemos.

***

Antes que o amanhã venha com suas fantasmagóricas tristezas, faça o que for preciso para que um adeus seja somente um até mais, e seja só a saudade o sentimento a uni-los pela eternidade.