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Sabe Quando Você Acorda Inútil?

Há um mês atrás eu acordei me sentindo a pior pessoa do mundo.

Contemplando o teto branco constatei a óbvia e tenebrosa realidade que eu vinha negando todo esse tempo. Eu não havia feito nada de relevante minha vida toda, eu era completamente inútil. Foi como despertar com um soco no estomago e não encontrar ninguém por perto.

Estou as voltas de outro aniversario. farei 28 anos. Parece até ontem que havia feito 18 anos. Dez anos passam voando quando você não está olhando. Quando você fica adiando para amanhã aquela guinada nos seus planos e sonhos. Agora eu estava ali, deitado olhando para aquele teto branco que representava toda uma vida. Um nada inútil. Continuar lendo Sabe Quando Você Acorda Inútil?

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Não Me julgue!

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“Por favor, não me julgue!” acho que isso seria o que eu diria a cada pessoa que me conheceu, “tudo que me fez chegar até aqui também me fez ser assim!”

Talvez os rumores estejam corretos. Eu não sou o cara mais inteligente, o mais interessante ou o que será o vencedor de qualquer coisa nesta vida. Talvez eu tenha tentado demais em certas e pouco em outras. Até mesmo não tenha tentado nada.

Mas acredite, está tudo bem. Nunca criei expectativas monstruosas, nem sonhei como vidas em universos paralelos onde eu estaria empurrando um carinho de bebe ao lado do grande amor de uma vida, quando na verdade estou de roupão num quarto de hotel barato, fumando o quinto maço de cigarros. Meus olhos cansados observam a folha de papel suja sob a luz minguante de um abajur de algumas décadas atrás.

Mas na realidade o que me consola é saber que não pertenço aqui.

Meu tempo está muito distante, numa época que amar era algo mais importante que o que tenho hoje para me contentar. Naquele mundo eu esbarraria com algum estranho e trocaríamos olhares sinceros de desculpa, até mesmo seriamos amigos.

Ouve um tempo, e isso realmente está muito distante, e, que você entenderia o fato de todos os dias eu querer vê-la, logo pela manha antes do sol nascer. Eu estaria no portal da sua varanda antes da ultima gota de orvalho secar, segurando flores que não saberia disser-lhe os nomes e  prepararia duas canecas de café só pra te ver sorrir. Mas ninguém entenderia isso agora! Por isso estou enrolado neste roupão amarfanhado, bebendo algo que parece cerveja quente enquanto espero o boy da recepção entrar pela porta com o prato especial do dia.

Porque hoje não se ama mais. Se vende amor. Rouba-se o amor. O amor é o lixo que reviramos para ver o que foi jogado fora e ainda dá pra usar. É um sapato velho, com buraco na sola que não podemos nós desfazer, “porque onde eu encontraria outro, o dinheiro anda curto!”.

E vai seguindo assim. Um dia vou ver meus sonhos pendurados numa liquidação de um e noventa nove. Uma senhora vai se aproximar e pechinchar. Acaba levando porque realmente está com bom preço. Gente velha sempre comprar qualquer coisa só porque está barato.

E de pensar nisso, ligo para recepção e peço outra cerveja.

– Ô moço, a “breja” boa acabou! – disse o boy da recepção – Mas tem da outra. Pode ser?