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O Menino Que Não Queria Crescer

 

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Eu estava com medo. Sentia que a qualquer momento meu coração iria parar e morreria quando aquela porta se fechasse. Meus pulmões inflavam-se rapidamente enquanto das profundezas da minha garganta um resmungo melancólico e desesperado explodia de dentro de mim.

Eu estava no pré-colegial, minha mãe se afastava dizendo que logo estaria de volta pra me buscar, que o dia seria ótimo e eu faria muitos amigos. Mas de tudo aquilo a única certeza era que ela estava me deixando, numa sala chega de crianças que eu nunca havia visto antes, aos cuidados de uma mulher que eu não conhecia.

“O que eu fiz de errado? Porque você está me abandonando?”

Ela se foi.

 ***

 E todas as experiências, todos os momentos da minha vida, nenhum me trouxe tanta insegurança ver minha mãe saindo pela porta da sala e ir embora. Horas depois ela havia voltado, e como o sol, me fez voltar a ser feliz. Eu estava perdido e ela estava ali. Quanta saudade havia nascido em poucas horas de angustia.

Mas o tempo leva embora esse medo e você não se sente mais perdido à medida que cresce. Aprende que muito que fará será sozinho. A costuma-se com o fato de que as pessoas se vão – temporário ou definitivamente. E começa a esquecê-las. Não é algo terrível, é um fato natural.

Mas quero disser algo em especial hoje, só porque o dia é especial e encontrei uma velha fotografia.

Estava entre alguns livros, meio mofada pela umidade do quarto que um dia terei de dar um jeito. Era somente um garotinho, de olhos negros e brilhantes, lábios vermelhos como um corte profundo e um tímido sorriso.

Naquela velha capa de agenda, me vi outra vez perdido e com medo.

Medo de envelhecer. Medo de não ter feito o suficiente. Medo de ir embora, ou medo de ficar. Medo de crescer, literalmente e não caber no berço ou caber nos braços que nos embalaria por horas e horas.

Agora estou aqui sentado, olhando para mim mesmo. Queria chorar, mas de saudade por ter encontrado um velho amigo, mas só sei sorrir. Apesar de tudo que passei até hoje, o meu pequeno menino está aqui dentro pra me lembrar que nunca estarei sozinho.

Nunca.

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Peculiaridades

Fico muito feliz que meu blog tenha recebido mais de trinta e sete visitas em menos de meia hora. Isso significa muito para mim.

Não sou um critico de cinema, um fotografo profissional ou tenha escrito um livro na minha vida. Somente comecei esse blog pela única necessidade de lembrar quem sou todos os dias. Escrevo sobre eu não para engrandecer meu ego. Faço isso para redescobrir sentimentos ocultos há tempos. Fotografo o que vejo com olhos diferentes desses externos. Faço minhas coisas estranhas porque são nelas que sei como ser normal da minha forma.

Não sou o melhor, mas gosto de ser quem sou. Sair por ai fotografando o pôr-do-sol. escrever meus devaneios. Ver os filmes que ninguém gosta de assistir e encontrar  a parte filosófica por trás de boa parte de alguns.

No fim, não leve isso a mal, esse espaço era um lugar onde eu poderia me encontrar de vez em quando e lembrar o por que ser quem sou. E saber que algumas pessoas andaram por aqui lendo pedaços meus. Isso me torna feliz. E é bom saber que de alguma forma podemos compartilhar um pouco disso que chamamos de peculiaridade com outras pessoas. Esse é o barato dos blogs, essa possibilidade de ser interessante aos outros.

Porém, não percamos o foco. Tenho postado muito sobre filmes, no entanto tenho muito material guardado aqui sobre livros, musica e fragmentos sobre o que me torna único, o problema de posta-los aqui é o tempo que nao tem sido muito a favor.

Mas gostaria de também conhecer aquilo que o faz único. Quem sabe um dia desses não encontro um blog e ele seja o seu.

Por enquanto, Obrigado Leitor.