Pessoas Genéricas

Como eu, você também deve ter tido a curiosidade de pesquisar o próprio nome no Google. E como eu, você também deve ter ficado estarrecido, senão, no mínimo preocupado com a quantidade de informações a nosso respeito que fica dando sopa na internet. Contas bancarias, números do CPF, endereços e o numero do telefone de casa são o de menor valor na minha opinião. O que realmente me dá arrepios na nuca de tanta preocupa é o quão falsos e genéricos nos tornamos e nem ao menos percebemos isto. Cruzando perfis na internet eu descobrir algo assombroso. Todo mundo é tão igual.

“você não é todo mundo”. Era algo que minha amada mãe, que é persona recorrente em muito do que escrevo, dizia sempre quando eu vinha todo cheio de dedos pedir para fazer algo que todo mundo na minha idade estava fazendo. A resposta vinha seca. “Todo mundo faz, porque não posso fazer? Porque você não é todo mundo, menino”. Todo mundo bebia, eu não bebia. Todo mundo fumava, eu não fumava. Todo mundo fode, eu… Você já entendeu a moral do que quero dizer.

Por isso acho que o fato de todo mundo ser tão singular e previsível é essa proibição de não fazer tudo o que todo mundo fazia na nossa fase juvenil. A gente quer fazer parte. Queremos ser do grupo, das panelinhas. Queremos ser do PT ou PSDB. Ser Homo ou Heteros. Preto ou Branco, Morena ou Loira. Ser da turma do fundão ou dos estudiosos CDF’s – nunca descobri o que significava essa sigla, meu vizinho dizia que era a abreviatura de Cú De Ferro, mas continuou sem sentido. Queremos ser Flamenguistas mesmo que isso não seja lá grande vantagem.

Não importa quem você seja. Você nunca seria alguém, se não for como todo mundo, procurando uma identidade para se vestir e se sentir “original”. E aqui paramos. Estamos tão confusos sobre essa metamorfose ambulante que vez ou outra recoremos as pesquisas na internet para descobrir coisas nostálgicas a nosso respeito. Procuramos rastro dos últimos dez anos, fotos, textos, vídeos, tudo que nós lembre que fomos um dia. Vasculhamos o ciber espaço lá do finado Orkut até as plataformas sociais mais modernas inventadas até o fim deste post em busca de algo que realmente fomos.

Mas quer saber o que realmente me irrita? É como, durante todo esse tempo, fomos iludidos por nós mesmo. Fico aparvalhado quando leio o copia e cola que se tornou o perfil das pessoas nas redes sociais, no Grindr, no Growlr…

Pelo o que me parece, todo mundo ama ir ao cinema (mesmo nas cidades onde eles nem ao menos existem), assistir peças de teatro (não vale contar “Cocegas” assistido no youtube). Todo mundo é amante da natureza e dos animais e volta e meia acampa (no quintal de casa). É romântico, gosta de ficar em casa do que ir a balada e assistir as series do Netflix. Todo mundo tem livro de cabeceira – uma vez um colega me disse que o dele era “O Suave Veneno do Escorpião”. Não procura sexo em primeiro lugar numa relação (MS quando a coisa esfria, procura em dois tempos outro lombo para esquentar), mas está aberto a possibilidades (curti caras também). TODO MUNDO ama cartola, Pixinguinha e Linker (tão cultos). Todo mundo assisti Rupaul e joga Pokémon GO. Quer dizer, você é tudo o que sempre um dia quis ser.

Essa mau caratice toda faz pensar. Se todo mundo é tão todo mundo, por que a gente se odeia tanto? E o pior, ainda diz: procuro alguém para me completar.

Porra!

Eu devia ter dado ouvidos à minha mãe.

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7 comentários em “Pessoas Genéricas”

  1. Nossa, que sensacional.
    Sabe, eu nunca tinha parado pra pensar nisso. Somos todos tão iguais porque tanto ódio? Realmente o ser humano é complicado e viver em sociedade mais ainda. Parabéns pelo texto.

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