Arquivo da tag: o tempo

Dharma e a Janela

Cat in a Window

As coisas andam ruim.

Uma grande crise nos ronda como uma fera selvagem à espreita, entre as sombras, pronta para atacar quando sacarmos a carteira do bolso e pagarmos as comprar do mês. Pelas ruas, pessoas murmuram como as coisas andam caras, como antigamente comprava-se muito mais com muito menos e que vai fica ainda pior. Um suspiro longo e lastimo pontua o fim da frase. Continuar lendo Dharma e a Janela

Anúncios

Não Tenha Pressa, Mas Não Perca Tempo!

segredo-produtividade

A caminho do trabalho perguntei-me, “porque estou indo tão depressa?”.

Estava um pouco atrasado e sabia que teria muito a fazer naquele dia, mesmo assim, questionei-me do motivo de tanta pressa. Aos poucos, diminuindo a marcha e sentindo como se pousasse sobre o meu peito uma mão invisível. “Vamos devagar, não estou a fim de correr atrás de você pela ciclovia!” dizia a voz que acompanhava a mão sobre o meu coração e eu a conhecia. Logo foi como se o tempo se curvasse sobre meus pés, deixando-me mergulhar dentro do passado, agarrado por aqueles dedos que seguravam-me firme. Thiago estava ao meu lado, era 2009 e caminhávamos pela orla do Lago Guaíba.

Era um dia ensolarado de um antigo verão. Pessoas corriam por toda a parte. Cães brincando na grama, turistas tiravam dezenas de fotos do espelho refletindo a dourada luz do dia e nós, caminhando depois de um dia maravilhoso pelos museus de porto alegre.

– Desculpe, nem percebi que estava andando rápido! – disse eu. – Acho que deixei-me levar pelo momento.

– Fique tranquilo! – disse Thiago enquanto colocava seus estranhos óculos de sol estilo John Lennon, olhando-me como se lesse cada pensamento que afligia-me naquele instante. – Temos muito tempo até o por do sol, vamos somente caminhar, não temos um destino final, só temos a vida toda pela frente!

Realmente, sempre teríamos muito tempo em nossas vidas e, apesar de não vê-lo mais depois daquele dia, descobri o que pretendia disser-me com aquelas palavras. “vá com calma”, “fique tranquilo”, “não temos um destino final”, “temos a vida toda pela frente”. Passei tanto tempo correndo por ai, imerso em compromisso, prazos, que mal pude respirar, até aquele momento.

Então pare por um minuto e vá de vagar, algumas vezes é importante parar e respirar fundo, ir de vagar quase parando. Já percebeu como à medida que crescemos parece que o tempo se torna mais curto? Anos mudam rapidamente, os sobrinhos crescem mais rápido a cada dia, os netos nascem como coelhos e você se percebe velho num piscar de olhos depois do seu primeiro dia de ferias escolar.

O tempo não corre, somente se desperdiça como a areia de uma ampulheta e porque não o usamos da maneira correta torna-se nosso remorso quando não se há mais tempo a perder. E a melhor maneira de se perder tempo é sendo feliz. Apreciando as singelas coisas da vida, sem esperar por sonhos de longo prazo, pessoas levianas e toda a riqueza que tentamos construir em uma vida.

Então, saia pra caminhar e ande devagar! Não se preocupe para onde esteja indo, somente aprecie o trajeto, as pessoas que conhecer e beleza de simplesmente existir. E se eu puder lhe dar algum conselho seria: não tenha pressa e não perca tempo algum.

Viva La Vida!

Morto!

DSCF0496

“Eu vou morrer”, era a única coisa que eu conseguia pensar naquele instante.

Todos estavam sentados e aturdidos por causa daquela cena. O tempo ficara imóvel e ate mesmo o som irritante das suplicas daquele idiota estendido no chão, suplicando pela própria vida parecia ter perdido seu sentido. Eu só podia ouvir o meu coração batendo acelerado enquanto o cano da arma se estendia do braço firmemente em direção a minha testa. Sim, isso aconteceu a muito tempo atrás, mas eu ainda me lembro bem de ter morrido aquele dia.

De uma forma resumida, houve um roubo na radio onde eu trabalhei no Rio Grande do Sul. Esse fato aconteceu durante o dia, quando muitas pessoas circulavam pela radio, poderia ser qualquer um. Mas o diretor teria de culpar alguém, então porque não garoto que havia pedido demissão aquele dia?

Ele sempre guardara uma pistola e eu sabia. Nunca imaginei que levaria a serio aquilo, usar aquela arma. No entanto me enganei e ela estava apontada para mim. Todos os funcionários da radio estava desesperados, diziam não saber de dinheiro algum, mas ele não se importava, desejava descobrir quem o havia roubado e eu era o principal suspeito.

Eu não havia pegado o dinheiro e desconfiava firmemente que ele nunca existira, era somente um truque frustrado para me incriminar e se vingar por deixa-lo na mão logo na hora que mais precisava de mim.

Somente uma coisa passava pela minha cabeça. O medo, o terror de morrer. Eu entrei em transe e não consigo me lembrar do que aconteceu entre aqueles minutos a não ser a sensação de estar morrendo aos poucos.

Ele abaixou a arma. Desistira daquele interrogatório e todos foram embora, nunca mais o vi, muito menos a pistola, mesmo assim, até hoje sinto ter morrido aquele dia e ter voltado a vida de uma forma diferente. Naquele dia, descobrir que todos estávamos mortos e vivos ao mesmo tempo, por isso, cada segundo é único. Nossa razão mortal existe e vivemos esquecendo isso em troca de uma falsa ilusão de imortalidade. Precisei da culatra fria encostada na minha cabeça para perceber isso. Tenho uma arma apontada para cabeça todos os dias, a qualquer momento ela pode disparar e nada é inevitável. Por isso aproveito a vida intensamente, amo intensamente e existo intensamente.

Lembre-se disso quando sentir um sonho morrendo. É o gatilho sendo apertado cada vez mais rapido sem você perceber e quando todos os sonhos sumirem, você também ira desaparecer. Um tiro certeiro e sem volta.

Lunar (2009)

 

Uma vez eu tive de fugir.

Esconder-me dos problemas e temores à milhas de distancia de tudo o que eu conhecia e achava familiar. Pensava em começar uma vida nova, diferente de tudo o que havia vivido e levado a todos os erros cometidos até então. Durante dois anos, eu estive sozinho, boa parte do tempo, física e mentalmente.Pensava ter chegado a um ponto que tudo estava bem. Um grande erro.

Um dia eu o encontrei (ou ele me encontrará?). Estava sentado no outro lado da sala. Observando-me. Pensava ter deixado-o para trás junto de tudo mais. No entanto, ali estava ele. Com a mesma aparência de anos atrás. A única pessoa que me conhecia mais que a mim mesmo. Que estivera em todos os momentos da minha vida. Alguém a quem ame, odiei, temi e tentei me livrar e fugir. Alguém quem eu não poderia suportar olhar nos olhos outra vez.

Mas é impossível fugir de si, não é mesmo?

Quantas vezes quis estar longe de mim mesmo. Quantas vezes fingir não me conhecer. Quantas ocasiões ignorei minhas decepções próprias. Quantos momentos tive medo de quem sou.

Acho que o filme “Lunar” reflete esse alto-conhecimento de forma mais violenta do que nos é proposto. Por que durante o tempo que residi no Rio Grande do Sul, inúmeras vezes fui obrigar a enclausurar-me dentro de um determinado sentimento de solidão e aprender comigo mesmo, conhecer e descobrir coisas ignorantes sobre quem eu era e o quanto mais poderia seguir em frente.

O contraste do universo e a lua, e toda a sua parte obscura e silenciosa, reflete esse lado sombrio e secreto da nossa alma. Conhecer-se é dominar uma força ilimitável de sabedoria, não só sua, mas talvez do universo. Somos mais capazes do que imaginamos.

Tentei uma vez abandonar quem eu era, mas não pude. Então, resolvi me sentar com “ele” e resolver essas diferenças. Tornar meu maior inimigo no melhor aliado.

Sinopse

Sam Bell (Sam Rockwell) é um astronauta que cumpre uma missão de três anos na Lua, em uma base instalada pela Lunar Industries. Sua função é extrair do solo e enviar regularmente à Terra uma substância que ajuda a renovar a energia do planeta. Sam tem apenas a companhia do computador GERTY (Kevin Spacey) e está ansioso para completar o trabalho, o que ocorrerá dentro de duas semanas, quando um novo funcionário virá substituí-lo. Só que, repentinamente, Sam começa a delirar e sofre um acidente. A partir de então ele encontra um clone seu dentro da estação lunar.