Arquivo da tag: sem sentido

Sabe Quando Você Acorda Inútil?

Há um mês atrás eu acordei me sentindo a pior pessoa do mundo.

Contemplando o teto branco constatei a óbvia e tenebrosa realidade que eu vinha negando todo esse tempo. Eu não havia feito nada de relevante minha vida toda, eu era completamente inútil. Foi como despertar com um soco no estomago e não encontrar ninguém por perto.

Estou as voltas de outro aniversario. farei 28 anos. Parece até ontem que havia feito 18 anos. Dez anos passam voando quando você não está olhando. Quando você fica adiando para amanhã aquela guinada nos seus planos e sonhos. Agora eu estava ali, deitado olhando para aquele teto branco que representava toda uma vida. Um nada inútil. Continuar lendo Sabe Quando Você Acorda Inútil?

Anúncios

American Splendor (2003)

00americansplendoros

A idolatria é o nosso cartão de visita. Todos somos fãs de alguém. Elvis, Gaga, Bem Affleck, os Teletubbies ou Jesus Cristo. Nós espelhamos, mesmo que inconscientemente, nessas pessoas extraordinárias, de feitos incríveis, cabelos ousados, atitude além do seu tempo e frases memoriáveis que valeram uma biografia e tanto. Mas como encantar-se por alguém tão miserável e ordinário, no sentido de comum, como Harvey Pekar?

Com certeza você se perguntou, “quem diabos é Harvey Pekar? Qual é o seu novo álbum? Vai estrelar um filme com Tom Cruise? Usa Channel ou Gabana?”. Bem, esse “tal” Harvey Pekar não é nada mais importante do que você é.

Temos aqui um maluco colecionador de discos e revistas em quadrinhos que viu em sua vida simples e problemática a chave para a construção de um excelente herói – ou anti-herói – com poderes iguais aos nossos: divorciado, rabugento, sem perspectiva de vida,num emprego sem sentido, numa cidade perdida no mapa de Deus,etc.

Caso você tenha encontrado alguma familiaridade com esse breve perfil de Pekar, parabéns! Você esta a alguns quadrinhos de ser cartunizado.

“Vida comum pode ser muito complexa”, é uma das frases marcante da película. Tudo na vida pode ser pior do que parece, sem graça, sem beleza e uma completa bagunça. Talvez por isso a imagem de um pôster pregado no teto do quarto antes de dormir seja algo inspirador – ou entorpecedor – para aliviar a frustração de ser alguém comum, numa existência simplória, sem sonhos grandiosos.

Essa foi a parte depressiva. Agora vejamos o lado bom de tudo: aparentar é mais importante do que ser feliz? Sentir-se contente consigo próprio não é nada perto da aprovação do mundo? Acho que não!

Mas prefiro que você assista ao filme e tenha paciência com Harvey Pekar e suas excentricidades, ele terá muito a ensinar como me ensinou. Enquanto isso vou dar um jeito nessa bagunça que chamo de quarto. Se é que isso importa.

Sinopse

O arquivista de hospital Harvey Pekar (Paul Giamatti) deixa cair no chão alguns arquivos de óbito e encontra a ficha de um homem que trabalhou a vida inteira como arquivista em Cleveland, ­ um emprego burocrático, exatamente como o dele. Esse episódio, combinado com o fato de ter visto o seu amigo Robert Crumb (James Urbaniak) se tornar uma pequena celebridade em São Francisco como cartunista, o inspiram a criar a sua própria revista em quadrinhos, chamada American Splendor. A revista, publicada em 1976 com grande sucesso, retratava com realismo o cotidiano do próprio Harvey, um amante compulsivo de jazz e livros.